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Reinos de Ferro 2.0

Capítulo I - Um só povo. Uma nação. Indivisíveis, Indestrutíveis

Nossa história começa a milênios atrás (aliás, como qualquer história que se preze). Naquele tempo, elfos não conheciam as estadas para além de suas florestas e os anões não haviam visto a luz do Sol por muitas vezes. Os goblins sagazes de hoje em dia recolhiam gravetos para suas fogueiras, mas não pensavam em ferver água em caldeiras. Humanos começavam a infestar as terras mais afastadas, mas dali a inventarem a primeira chave cygnariana ainda demoraria muito tempo. Antes mesmo dos dragões começarem suas batalhas épicas, antes do domínio de Lorde Toruk.


Nessa época, havia um povo que ocupava o extremo oriente de continente. Um povo recluso por suas fronteiras naturais, enclausurado pela grandeza da natureza na forma de mares revoltos, montanhas inóspitas e vastos desertos amorfos e estéreis. Nenhuma outro povo teve contato com esta civilização, que se desenvolveu de maneira a não tecer qualquer tipo de relacionamento social com qualquer outra raça inteligente. Sua terra, em seu idioma peculiar, era chamada de Zaibach.


O povo de Zaibach era culto, esforçado e forte. Eles queriam sair da cratera a que estavam confinados, mas seus esforços se demonstraram inúteis frente à grandeza da natureza. Década após década, o frio, a fome e as condições difíceis reduziram os zaibachianos a parcos sobreviventes. Adaptados, mas ainda assim sobreviventes. Foi então que o messias apareceu entre eles.





Ele ensinou o povo a lutar contra a natureza e a profanar o solo para sobreviver, a alterar seus próprios corpos em nome da evolução. Mas ensinou, acima de tudo, a matar os deuses. Desacreditá-los, destruí-los.


Em poucas gerações os zaibachianos desenvolveram ciência, magia e tecnologia além do que jamais haviam imaginado. Suas cidades prosperaram, montanhas caíram, florestas queimaram, mares foram tragados ou transformados em vastos pântanos contaminados. Ergueram torres com centenas de metros de altura tanto acima quanto abaixo do solo. Queimaram os céus, destruíram o ar. Seus corpos se tornaram fortes, suas vontades, implacáveis. O Império Negro se espalhou como um câncer sobre a terra. E eles gostaram disso. Sentiram o poder de vencer a natureza, jogá-la ao chão e destruí-la sob seus pés.





Não demorou muito para que a mancha de contaminação se espalhasse para além das antes impenetráveis fronteiras naturais, reduzindo-as a escombros e devastação além da linha do horizonte. Um a um, quaisquer povos que tentaram contato com Zaibach foram destruídos - ou pior, absorvidos, tornando-se imagens distorcidas do que já foram um dia. O seu poderio bélico não tinha limites. Era superado apenas por sua própria crueldade. Hordas Imperiais Zaibachianas eram mandadas aos milhares sobre quaisquer outros seres, de modo que a vitória fosse sempre avassaladora e sangrenta.


E eles eram incansáveis. Não paravam, não descansavam. Suas forças nunca se dividiam, eram sempre em número superior. Suas máquinas de guerra - um misto de magia negra e tecnologia, vomitavam todo tipo de substância tóxica e letal. Elas eram implacáveis e nunca recuavam. Não tombavam. Apenas avançavam, destruíam e continuavam avançando.





O fim de todas as raças era um futuro evidente. Não havia força no mundo capaz de conter a devastação causada pelo avanço do Império Negro. Sem esperanças, os remanescentes de todos os povos se uniram e, pela primeira vez juntos, fizeram a única coisa que lhes restava. Rezar. Implorar aos deuses para que os salvassem. Mas, um após o outro, os deuses se manifestaram, e disseram que era inútil. Era o fim. Não havia poder capaz de conter a mancha negra que se avolumava no horizonte. Outros queriam lutar, mas nada poderiam fazer sozinhos, além de adiar o inevitável - e mesmo assim partiram para o confronto.


Foi então que Ela atendeu.


A primeira vítima de Zaibach. E a que havia sofrido o maior castigo até então. Gaia. A essência viva do planeta. Ou, simplesmente para alguns, a Deusa Maior. Surgindo diante daqueles que a invocaram, mostrou-se na forma de uma mulher feita de outro e raios. Uma vasta porção de seu ventre era tomada por uma ferrugem incandescente, de onde escorria um líquido negro e cáustico. Não proferiu uma única palavra. Apenas se voltou para o coração de Zaibach e desapareceu. Segundos depois, sua voz soava onisciente na cabeça de todos, enquanto falava com o Messias. A atmosfera de Zaibach corroía seu corpo, destruía tudo o que ela havia criado.





Ela ordenou que Zaibach recuasse. Que voltassem para o âmago ao qual pertenciam. Implorou a todos para que dessem as costas ao Messias e voltassem para onde começaram. Que vissem no que haviam se tornado, a ruína e corrupção de um povo forte e belo, criado por ela para ser único e intocado pelos demas. O Messias riu. Em seus olhos, viu apenas que estava vencendo o maior de todos os inimigos e que este lhe implorava clemência. Fez-se de ídolo e foi ovacionado por seus iguais. Gaia percebeu que era inútil. E viu que era hora de destruir o que havia criado. Hora de extirpar a parte podre de seu corpo.


Foi então que ela chamou por seu campeão. O nome dele foi ouvido por três vezes. Na primeira, o vento, as águas, os combatentes, tudo e todos pararam. Houve silêncio. Um silêncio profundo e perturbador.


Na segunda, os deuses sumiram. Aqueles mesmos deuses que não quiseram sujar suas mãos. Suas essências se perderam, suas consciências desapareceram. Os deuses bons foram retirados do campo de batalha e preservados no Limbo.


Na terceira vez, o chão tremeu. E tremeu muito forte sob o centro de Zaibach. A terra se abriu em uma cratera com centenas de kilômetros de comprimento e dela ergueu-se o Campeão de Gaia.




Zaibach simplesmente não acreditava no que havia surgido. A fera, envolta por fumaça, chamas e destruição, era gigantesca, maior do que qualquer coisa que já haviam criado. Sua passagem eclipsava o sol, encobria totalmente os céus e causava um turbilhão de arrasto capaz de devastar vários kilômetros de contruções zaibachianas. Mas o pior ainda estava por vir. O calor e o fogo. Tudo se tornou extremamente quente. a passagem da fera cauterizava tudo, transformando concreto em pó, metal em líquidos e pessoas em cinzas. Nada resistia. E a fera não passava duas vezes pelo mesmo lugar. A devastação acontecia em escala titânica, e com velocidade assombrosa. Seu sopro era o indício do fim. Foi então que o Messias ordenou a Zaibach que fizesse o impensado: combater  criatura.





Todos os esforços se voltaram para dentro das fronteiras do Império Negro. Canhões, cavaleiros alados, necromantes, robôs, tudo e todos se voltaram para enfrentar a criatura. A guerra durou por anos a fio, sem descanso, sem tréguas. A cada segundo, centenas morriam. Gaia estava vencendo. Em seu ventre, o câncer diminuía. Centenas de anos mais tarde, as nuvens negras finalmente se dissiparam. Os povos sobreviventes lançaram mão de exploradores e batedores, procurando por sinais da batalha. Nada. A terra continuava desolada, mas se recuperava lentamente. Contudo, em uma vasta porção do oriente, o céu ainda era negro, as águas venenosas e o solo contaminado. O ar, impregnado por substâncias tóxicas, impedia qualquer aproximação.


Mas eles estavam satisfeitos. Deram as costas e voltaram às suas vidas. A ameaça de Zaibach havia sido contida. Contudo, logo perceberam que os deuses não respondiam mais às suas preces. De todo um vasto panteão, muitos haviam desaparecido. Os que restavam estavam enfraquecidos e ausentes. Todos compreenderam o que havia acontecido. Era a hora de reconstruir.


Zaibach? Nunca mais ninguém se aventurou por aquelas terras. Os bravos que decididamente foram, nunca retornaram. Teria sido realmente o fim de toda uma nação? Uma raça criada pela mais poderosa deusa, seus escolhidos? Acredite no que quiser. O fato é que, centenas de anos depois do final da guerra, os céus continuam negros e a terra ainda está impregnada pela maldade latente do Messias. Um messias que declarava que o povo de Zaibach nunca poderia ser vencido. Nunca poderia ser contido.





Nunca. 
  1. Anônimo Says:
    Este comentário foi removido por um administrador do blog.
"Está cansado do mundo ao seu redor? Seja bem vindo a meu mundo, onde reina a magia e dragões voam pelos céus. A beleza enche teus olhos e qualquer um pode buscar a glória de um trono! Sim, claro, podes fazer isso em teu mundo também, mas é muito mais DIVERTIDO aqui!"

Elminster
Dungeons & Dragons 2nd Edition

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